terça-feira, 19 de setembro de 2017

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A): “Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo” (Mt 20,1-16).

Estamos com mais uma parábola. A história nos narra um fato, infelizmente muito comum entre nós. Pessoas desempregadas, ocupadas em não fazer nada. Culpa delas? Não! Culpa de um sistema que oprime, exclui e seleciona com critérios muitas vezes desumanos. Mas Deus, que olha para todos indistintamente, faz a opção de acolher os sofridos, desiludidos, desamparados e desempregados da vida. É triste ouvir alguém que sofre amargamente ao ver a família se esvaindo pela falta de emprego e, consequentemente, pela falta do básico para o sustento de seus membros. O evangelho aponta para um patrão à procura de empregados. Este mesmo patrão vai encontrando pessoas ociosas em diversos momentos e horários do dia. Impressiona-nos que os primeiros foram contratados ainda de madrugada. QUANDO SE FALTA O ESSENCIAL DA VIDA, NÃO SE ENCONTRA NEM MESMO O SONO REPARADOR PARA O INÍCIO DE UM NOVO DIA. O patrão na história simboliza o nosso Deus. Nosso Pai e Criador, enviou-nos o seu Filho salvador justamente para que não nos percamos em meio as ociosidades da vida. Por isso o patrão contrata em diversas circunstâncias ao longo do dia. INDEPENDENTE DO HORÁRIO, TODOS SOMOS OPERÁRIO DA VINHA DO SENHOR. COMO PESSOAS DIGNAS E DISCIPLINADAS A PARTIR DO AMOR DE DEUS QUE VEM PARA NOS “CONTRATAR” MEDIANTE A CLÁUSULA BONITA E FORTE DO SEU AMOR, SEJAMOS RECÍPROCOS PARA QUE DEUS NOS CONFIE SEMPRE MAIS. Ainda que não compreendamos como se dá a sua justiça que oferece a todos, indistintamente, o valor do seu amor e da sua justiça, voltemo-nos Àquele que sempre tem piedade de nós (1ª leitura – Is 55,6-9). E como São Paulo, que mesmo tendo sido o último dos apóstolos de Jesus, se entregou e se confiou inteiramente a Ele, a ponto de afirmar que era sempre o próprio Cristo que vivia em seu coração (2ª leitura – Fl 1,20-24.27). E que o nosso coração também se converta, independente da hora, da idade e da nossa condição social, para que assim possamos todos juntos ter acesso à vinha do amor e da justiça de Deus. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

SÁBADO – MEMÓRIA DE SÃO PIO DE PIETRELCINA: “O semeador saiu para semear a sua semente” (Lc 8,4-15).

A parábola é deveras conhecida e bastante sugestiva, uma vez que estamos celebrando o mês dedicado à Santa Bíblia. A história contada por Jesus fala de sementes que foram lançadas em diversos tipos de terreno. Terreno bom, terreno com pedras e espinhos e sementes que caíram de qualquer maneira. Rezando com as palavras de Jesus, perguntemo-nos: QUE TIPO DE TERRENO ESTAMOS SENDO? NOSSO CORAÇÃO É CAPAZ DE ACOLHER A PALAVRA DE DEUS OU ESTAMOS NOS PERDENDO EM MEIO ÀS MENSAGENS PEDREGOSAS E ESPINHOSAS DA VIDA? Muitas são as palavras que teimam em nos sufocar. Diversas são as situações que nos fazem perder o foco. No mundo moderno, diante de tantas informações e ocupações, facilmente perdemos a atenção para o que realmente é necessário ao nosso viver. Existe até aqueles que sofrem com transtornos de déficit de atenção. É muita coisa para darmos conta. Às vezes nossa mente e o nosso coração não conseguem assimilar tudo. Precisamos fazer um esforço enorme. É possível e necessário. PEÇAMOS A DEUS DISCERNIMENTO E CORAGEM PARA SABER CULTIVAR A SEMENTE DO SEU AMOR E DE SUA PALAVRA. NÃO NOS PERCAMOS EM MEIO ÀS PEDRAS E ESPINHOS QUE TEIMOSAMENTE FORÇAM PARA QUE NOS PERCAMOS EM TORNO DO ESSENCIAL. TAMBÉM NÃO FIQUEMOS À BEIRA DO CAMINHO. ACOLHAMOS A TUDO E A TODOS, MAS SEMPRE COM PRESTEZA E DETERMINAÇÃO, PARA QUE NOSSAS SEMENTES GERMINEM E POSSAM PROSPERAR. Fico intrigado e triste quando sei de pessoas que vão à missa aos domingos como meros expectadores e ouvintes. Ouvem, não entendem e consequentemente não rezam. Não sabem como levar a Palavra de Deus para aplicar às suas vidas. ESFORCEMO-NOS PARA QUE A NOSSA FÉ NÃO SEJA REDUZIDA A UM DEPÓSITO DE INFORMAÇÕES E DEVOÇÕES. Saibamos traduzir em nossas vidas o que temos, de fato, como princípios religiosos. Assim são os reais ensinamentos de Deus. Que o zelo de São Paulo em ajudar Timóteo a ser firme na missão (1ª leitura – 1Tm 6,13-16), guardando sempre a Palavra de Deus, sirva-nos para fazermos do nosso coração a terra que sabe acolher a boa semente. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

SEXTA-FEIRA DA 24ª SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO ÍMPAR): “Os doze iam com Ele e também algumas mulheres” (Lc 8,1-3).

É importante para a nossa reflexão, o destaque apresentado por Jesus a respeito das mulheres no desenvolvimento e no acompanhamento do processo de evangelização. É certo que Ele quis contar com homens no grupo dos 12. Entretanto, as mulheres também encontraram lugar em seu coração de missionário do Pai. Jesus inova e renova quando integra homens e mulheres no projeto de Deus. E não são quaisquer mulheres. Busca aquelas que certamente, em outro contexto, estariam isentas de tal participação. Como exemplo, o evangelho apresenta algumas mulheres merecedoras de nossa atenção. Joana: uma mulher da alta classe, rica e de muitas posses. Suzana: mulher simples, do meio do povo. Maria Madalena: esta era famosa. Uma mulher amplamente excluída da sociedade vigente. Sobre esta mulher, chama-nos a atenção o detalhe apresentado por Lucas: “da qual tinham saído SETE demônios”. Maria Madalena era uma mulher INFINITAMENTE MARGINALIZADA. Excluída da família, do povo e todo o contexto social. É COM GENTE QUE JESUS APRESENTA COMO SE DÁ O PROJETO DE DEUS ENTRE NÓS. Seguir Jesus significa mudar completamente os parâmetros, os ditames e os rótulos a que estamos acostumados, para que a evangelização transcorra sempre obtendo êxito e notoriedade entre as pessoas. TODOS SÃO CONVIDADOS A CONTRIBUIR COM O QUE SE TEM. NINGUÉM ESTÁ ALHEIO, AFINAL, SOMOS TODOS IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS. Associando as mulheres ao projeto de evangelização, Jesus supera toda opressão, salientando quanto é importante viver a igualdade, sem deixar de observar o que é peculiar a cada um de nós. Combatamos o bom combate (1ª leitura – 1Tm 6,2-12). Como homens e mulheres, no respeito, no amor, na concórdia, na busca incessante pela justiça e pela paz, estaremos contribuindo e colaborando com a evangelização. Acolhendo o depósito de nossa fé que um dia esteve com os apóstolos, sem deixar de experimentar a ternura do amor de Deus presente em Nossa Senhora, como também nas diversas mulheres em torno de Jesus, reconheçamos o feminino que nos sustenta e nos faz sermos sempre mais portadores da graça d’Aquele que não faz distinção de pessoas. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

QUINTA – FESTA DE SÃO MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA: “’Segue-me!’. Ele se levantou e seguiu Jesus” (Mt 9,9-13).

Eis uma cena forte e instigante, mas também sensível e bela: A VOCAÇÃO DE SÃO MATEUS. Caso este apóstolo e evangelista fosse uma pessoa simples, do povo, não haveria tanta repercussão o fato de ter sido convidado a fazer parte do grupo dos doze. Todavia, MATEUS NÃO ERA UMA PESSOA BEM QUISTA NO MEIO DO POVO. ERA UM CORRUPTO COBRADOR DE IMPOSTOS. Alguém que utilizava o poder que tinha para extorquir e prejudicar os mais pobres. Mesmo assim, Jesus quis contar com ele. Pois, não são os bons que precisam de médicos, mas os doentes, diz Jesus. Atualizando esta história bíblica, PODERÍAMOS IMAGINAR JESUS VISITANDO VÁRIAS CÂMERAS DE VEREADORES, COMO TAMBÉM FAZENDO UMA VISITA A BRASÍLIA, POIS TAIS AMBIENTES ESTÃO REPLETOS DE NOVOS “MATEUS”. JESUS JÁ SE PREOCUPAVA COM O SOCIAL. Ele não veio apenas para curar e ficar falando de amor aqui ou ali. Jesus sempre foi muito prático. Curava o ser humano e o mundo em que vivia. Mesmo criticado, seguiu vocacionando as pessoas que não olhavam para o ser humano com dignidade, a fim de que a ação de Deus obtivesse êxito em todas as esferas da sociedade. Foi assim com São Mateus. De homem que roubava e massacrava o povo com exorbitantes impostos desnecessários e irrelevantes, passou a ser apóstolo e autor de um dos evangelhos de Jesus. Impressiona-nos até que ponto chega o amor de Deus. A MÃO QUE ANTES ERA UTILIZADA PARA ESCREVER O QUE OPRIMIA, COM A EXIGÊNCIA DESLEAL DE VALORES DESUMANOS PARA O POVO POBRE, PASSOU A ESCREVER E REGISTRAR OS FEITOS DE JESUS, PARA QUE O POVO PUDESSE AMAR DA FORMA MAIS VERDADEIRA E LEGÍTIMA. Jesus esteve neste mundo para transformar os corações de homens e mulheres como São Mateus. É Ele o autor da graça. Ele quem capacita a todos em prol de todos (1ª leitura – Ef 4,1-7.11-13). Deu certo com São Mateus. Rezemos e façamos por onde, para que, na esperança e na fé, os políticos e administradores corruptos também tomem jeito. Eis uma ótima prece em tempos tão difíceis como o nosso. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

QUARTA – MEMÓRIA DOS MÁRTIRES SANTO ANDRÉ KIM E SEUS COMPANHEIROS: “Tocamos flautas para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!” (Lc 7,31-35).

Às vezes somos como crianças birrentas. Não sabemos o que queremos. E por isso, preferimos chamar a atenção dos outros com nossos alardes e questionamentos. É sobre estas coisas que hoje a Palavra de Deus nos fala. Os famosos doutores da lei criticavam João Batista porque vivia de maneira austera e desapegada. A humildade era a marca principal da vida daquele que veio preparar os corações das pessoas para que pudessem acolher Jesus. O mesmo fizeram com Jesus, porque vivia participando de banquetes e porque multiplicava o pão, a fim de dizer que a fartura começa sempre quando queremos fazer parte das coisas de Deus. E se antes criticavam João Batista porque não comia, criticavam Jesus porque sempre o encontravam nos banquetes regados a festa e alegria. ASSIM TAMBÉM SOMOS NÓS. OSCILAMOS E NÃO NOS ACOSTUMAMOS COM A ALEGRIA DOS OUTROS. PREFERIMOS CRITICAR E APONTAR O DEDO QUANDO ALGO NÃO SE ADEQUA À NOSSA VÃ FILOSOFIA. Diante destes descompassos, Jesus compara aqueles homens com crianças que não sabiam o que queriam para as suas vidas. Se há música alegre, preferiam viver lamentando. Mas se o momento era de dor, se debruçavam diante das lamentações e dos falsos questionamentos. E QUANTO A NÓS? O QUE QUEREMOS PARA AS NOSSAS VIDAS? O QUE ESTAMOS FAZENDO PARA QUE POSSAMOS VIVER SEMPRE NO COMPASSO DA PALAVRA DE DEUS? A VIDA TEM OS SEUS ALTOS E BAIXOS. PRECISAMOS APRENDER A NOS ADEQUAR A CADA SITUAÇÃO NOVA, PARA QUE POSSAMOS PERCEBER OS DESÍGNIOS DE DEUS ACONTECENDO EM NOSSO MEIO. Quem não se deixa guiar pela Palavra de Deus, infelizmente viverá como uma criança mimada que se esperneia diante do equilíbrio e da sensatez dos outros. Aprendamos com São Paulo que enxergava no amigo Timóteo, uma pessoa madura e equilibrada, disposta a se deixar conduzir pelo evangelho (1ª leitura – 1Tm 3,14-16). Que assim aconteça conosco! Busquemos maturidade e serenidade, para que não vivamos criticando por criticar os irmãos de comunidade. É DESTA MANEIRA QUE ESTAREMOS VIVENDO NO COMPASSO E NO RITMO DO QUE REALMENTE NOS ENCAMINHA PARA DEUS! Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

TERÇA-FEIRA DA 24ª SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO IMPAR): “Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva” (Lc 7,11-17).

Em meio aos contrastes que o evangelho nos aponta, façamos mais uma reflexão a respeito da dimensão do amor de Deus por nós. Ao entrar na pequena cidade de Naim, Jesus se depara com um cortejo fúnebre. Lucas apresenta alguns detalhes acerca daquele defunto. Era jovem, filho único e sua mãe era viúva. Aquela situação sensibilizou Jesus. Uma mulher viúva e sem filhos era uma pessoa desgraçada. Mulher não podia administrar nada, nem mesmo a própria vida. Não tendo marido, o responsável por ela seriam os filhos. E estava indo enterrar o seu único filho. A lei de então, exigia que todos os seus bens fossem confiados ao estado. Após o enterro do seu filho, ela estaria à míngua. Ao passar pela porta da cidade, Jesus resolve mudar aquela situação. Ele que é O CAMINHO, VERDADE E VIDA, AO DEPARAR-SE COM AQUELA PROCISSÃO DE MORTE, MUITO MAIS DO QUE DEVOLVER A VIDA DAQUELE QUE ESTAVA NO CAIXÃO, DEVOLVE A DIGNIDADE DAQUELA QUE ESTAVA MORTA PELA SOCIEDADE. Lucas ainda diz que Jesus tocou no caixão e ordenou que o jovem morto ficasse de pé. Jesus é a vida. Quando o seu amigo Lázaro havia morrido, ele disse às irmãs Marta e Maria que, crendo n’Ele, todos os mortos haveriam de viver. Jesus não falava apenas no aspecto físico. Mas também no sentido social, religioso e existencial. É PRECISO CRER PARA VER ACONTECER A VIDA NO SENTIDO PLENO DA PALAVRA. E quando cremos, manifestamos nossa atenção, preocupação e solidariedade, tocando na situação que gera transtorno e morte na vida dos nossos irmãos. Isto é ter compaixão. Jesus compadeceu-se daquela situação. Ele que é a vida, reverteu aquele caminho de morte. PRECISAMOS APRENDER A ADMINISTRAR A NOSSA VIDA, SE QUISERMOS AJUDAR DE MANEIRA CONCRETA OS NOSSOS IRMÃOS, NO SERVIÇO DA CARIDADE QUE SE TRADUZ EM AMOR AOS IRMÃOS (1ª leitura – 1Tm 3,1-13). Que a dor do outro seja a nossa dor. Foi esta a atitude de Jesus. Que tal atitude faça parte do caminho que sempre desejamos trilhar. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

SEGUNDA-FEIRA DA 24ª SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO IMPAR): “Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc 7,1-10).

É fácil dizer que temos fé. Difícil mesmo é demonstrar a intensidade e a persistência que legitima a nossa condição religiosa que nos faz sermos cristãos. A Palavra de Deus hoje nos aponta elementos seguros que podem nortear a nossa vida, fazendo com que a nossa relação com Deus, seja também um compromisso com os irmãos. O evangelho nos fala de UM HOMEM DE PODER QUE SE RENDE AO PODER DE DEUS NA PESSOA DE JESUS. AQUELE QUE MANDA, ABRE MÃO DE SUA AUTORIDADE E SE VOLTA A QUEM REALMENTE TEM PODER. Era ele um homem de grande posição que se rende à posição que lhe faria mais digno do amor de Deus. Pede a Jesus pelo seu empregado que estava muito doente. ABRE MÃO DE SUA CONDIÇÃO DE PODER PARA PEDIR. E se lembrou de pedir em prol de outra pessoa. Quantos de nós teríamos a coragem e a hombridade de fazer algo semelhante? Era mesmo um homem de muita fé. Sua fé foi tamanha que admitiu ainda ser indigno de acolher Jesus em sua casa. Pedia apenas uma palavra de Jesus para ter a certeza que seu empregado ficaria bem. Estamos no mês de setembro que é o mês dedicado à Palavra de Deus. Este homem confiou na palavra de Jesus. Sabia que a palavra também cura. Será que nós também temos esta mesma fé na Palavra de Deus? Será que nós confiamos na Palavra do evangelho, a ponto de depositarmos nela toda a nossa esperança e fé? Este soldado romano é hoje o exemplo que a Palavra de Deus nos oferece para sermos homens e mulheres de fé. Uma autoridade que rezou por alguém que lhe era submisso. Este é um exemplo que nos faz perceber que, em tempos tão difíceis, devemos também rezar por nossas autoridades, para que jamais lhes faltem o discernimento e a sensibilidade para suavizarem a dor das pessoas (1ª leitura – 1Tm 2,1-8). QUE O NOSSO COMPORTAMENTO FALE POR SI, PARA QUE O NOSSO COMPROMISSO CONFIGURE SER UMA VIDA VOLTADA A DEUS E AOS IRMÃOS. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam