quinta-feira, 22 de junho de 2017

TERÇA-FEIRA DA 12ª SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO ÍMPAR): “Não deis aos cães as coisas santas nem atireis vossas pérolas aos porcos...” (Mt 7,6.12-14).

SÃO NAS COISAS DIFÍCEIS DA VIDA QUE DEPOSITAMOS A NOSSA ALEGRIA E O NOSSO BEM-QUERER. Uma mãe sofre ao ver o filho envolvendo-se em situações que lhe trará prejuízo e descontentamento. Só encontrará sossego e felicidade quando perceber que aquele filho encontrou novamente o caminho do amor, da paz e da sabedoria. INSISTIR NA FAMÍLIA, MESMO QUANDO TUDO APARENTEMENTE VAI MAL, É INVESTIR NO QUE VERDADEIRAMENTE TRANSMITIRÁ UM RETORNO SATISFATÓRIO A TODOS. Contudo, num mundo tão marcado pelo consumo e pelo dinheiro, torna-se mais cômodo investir naquilo que apresenta benefício, disposição e prazer unicamente ao seu investidor. Pensar no todo, agir em prol da família e da plena realização daqueles que depositamos todo o nosso amor é saber aplicar bem aquilo que temos e somos, em prol dos frutos que Deus nos possibilitará colher um dia. É MUITO TRISTE AQUELE QUE É DETENTOR DE UMA GRANDE INTELIGÊNCIA, DOTADO DE GRANDES VALORES E DONS, MAS NÃO SABE COMO REVERTER TUDO ISTO COM QUALIDADE E DESPRENDIMENTO À SUA VIDA. É JOGAR AOS CÃES AS COISAS SANTAS E LANÇAR AS PÉROLAS PRECIOSAS AOS SISTEMAS IMUNDOS E OBSCUROS QUE NADA OFERECERÃO DE BOM NO RETORNO DO NOSSO AGIR. “TODA AÇÃO TEM UMA REAÇÃO”. Agindo com maturidade, certamente se colherá resultados de satisfação verdadeira. Às vezes este resultado exige certas perdas ao longo do caminho. Perder aqui ou ali para ganhar com mais êxito e disponibilidade. A primeira leitura nos brinda hoje com uma ótima mensagem a este respeito. Abrão, como nos fala a leitura, enfrentou alguns conflitos com o seu irmão Ló por conta de terra e de poder (1ª leitura – Gn 13,2.5-18). Com sensatez, deixou o irmão ficar com a melhor parte da vida para não experimentar um prejuízo ainda maior ao seu coração. Deus insiste conosco para que entendamos a ELIMINAR TUDO O QUE É DANOSO AO NOSSO VIVER. Se for preciso, APRENDAMOS A PERDER PARA GANHAR NO TEMPO OPORTUNO QUE A VIDA NOS OFERECERÁ. Afinal, é pela porta estreita que seu amor se oferece a nós. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

SEGUNDA-FEIRA DA 12ª SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO ÍMPAR): “Tira a trave do teu olho...” (Mt 7,1-5).

O filósofo Sócrates, muito antes de Jesus ter nascido, já exortava o povo à promoção de seu autoconhecimento. “CONHECE-TE A TI MESMO!”, é o que ele dizia. É uma experiência difícil e ao mesmo tempo provocadora. O SER HUMANO TEM UMA DIFICULDADE IMENSA DE SE CONFRONTAR E SE DEPARAR COM O SEU PRÓPRIO EU. Com medo de seus limites e talvez com vergonha de suas misérias e contra-valores, o ser humano não “VÊ COM BONS OLHOS” a ideia de olhar para dentro de si. Todavia é feliz aquele que consegue superar tais medos e fazer esta viagem que não é apenas psicológica, mas também espiritual, educativa, humana e formativa. PARA TIRAR A TRAVE QUE JESUS HOJE FAZ REFERÊNCIA NO EVANGELHO, É PRECISO SABER MINUNCIOSAMENTE ONDE A MESMA SE ENCONTRA. O ato de fechar os olhos ajudará bastante. E este ato, antes de ser algo meramente fisiológico, quer ser um ato EXISTENCIAL. Fechamos os olhos para voltarmos a nossa atenção ao nosso “EU INTERIOR”. É uma experiência de INTROSPECÇÃO. Diante do mundo que está à nossa volta, somos instigados a manter os nossos olhos bem abertos para não somente apreciarmos o que vislumbramos, mas também emitirmos o nosso julgamento acerca das coisas e das pessoas que nos circundam. Isto é errado e grave, aponta-nos Jesus. Quando nos falta o autoconhecimento da vida, não poderemos jamais emitir um julgamento verdadeiro e isento de qualquer parcialidade. Na verdade, imparcial mesmo, SOMENTE DEUS. Depois de feita a viagem para o “MEU EU”, após realizar o tão necessário autoconhecimento de maneira transparente e autêntica, Deus nos convida a SAIRMOS DE NÓS MESMOS PARA PODERMOS NOS DIRECIONAR AO NOVO QUE ELE DESCORTINA À NOSSA FRENTE (1ª leitura – Gn 12,1-9). Reconhecendo as nossas fragilidades, poderemos ter um diagnóstico mais preciso e seguro a respeito de nós mesmos. Assim poderemos pisar com mais firmeza no chão da nossa vida que é também o chão da vida dos nossos irmãos. É assim que Deus quer que nos relacionemos com todos. Façamos esta experiência. Não rotulemos ninguém para que a nossa vida seja mais coerente com a vontade de Deus! Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A): “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 10,26-33).

Na meditação de hoje, sintamos o quanto Deus nos ama e se importa conosco. Por três vezes, ao longo do evangelho, Jesus insiste com os seus discípulos para que eles aprendam a vencer os seus medos. “NÃO TENHAIS MEDO”, é o que Jesus também diz a cada um de nós. Certamente nunca foi fácil seguir Jesus. Não foi uma missão tranquila para os discípulos de ontem, também não é para nós que vivemos em meio a tantas atrocidades no mundo de agora. Mesmo assim, precisamos ter presente as nossas convicções, a fim de prosseguirmos com nossas vidas sempre escutando Jesus a nos acalentar. Mas afinal, o que tanto nos inquieta e insiste em tirar a nossa paz? Quais são as nossas fobias e angústias? Jesus, como sempre muito sensível, percebeu que os seus discípulos tinham alguns receios em meio a missão que lhes era confiada. Na verdade, TUDO O QUE É NOVO É TAMBÉM EXIGENTE. TODA NOVIDADE EXIGE QUE NOS DESINSTALEMOS DA VIDA QUE ESTAMOS ACOSTUMADOS A REALIZAR. Por isso, sem perder a serenidade, Jesus falava com garra e com muita propriedade. E pedia aos seus discípulos para que aquelas suas palavras de ânimo e estímulo fossem repassadas a tantos que também sentem medo. Precisamos aprender com Jesus a levar uma mensagem aos que sofrem pelo medo e pela falta de fé e esperança. Quando Jesus disse que os pardais não caem no chão sem o consentimento de Deus e que os nossos cabelos estão todos contados é porque TUDO NESTA VIDA ESTÁ SOB O CONTROLE DE DEUS. Infelizmente a incerteza sempre nos acompanhará. Jeremias nos narra, num tom de desabafo, as intrigas e calúnias que foram acontecendo ao longo de sua missão profética. Desabafou, mas não teve medo (1ª leitura – Jr 20,10-13). São Paulo hoje também nos lembra que Jesus venceu a morte na cruz para que a graça de Deus nos torne sempre superior a nossos medos (2ª leitura – Rm 5,12-15). Então, LEVANTEMOS A CABEÇA, PEÇAMOS FORÇA E CORAGEM E CONTINUEMOS COM NOSSAS VIDAS. Deus tem muito mais a nos oferecer! Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

terça-feira, 20 de junho de 2017

SÁBADO – SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA: “João é o seu nome” (Lc 1,57-66.80).

Hoje a Igreja recorda com alegria o testemunho daquele que se tornou o anunciador de um novo tempo: João Batista. Um homem de Deus que soube ser fiel aos seus desígnios. O nome “JOÃO” quer dizer: “Deus se mostrou misericordioso”. EM JOÃO BATISTA PODEMOS VER A PROVIDÊNCIA DE DEUS ATUANDO NA HISTÓRIA. A realização da vontade de Deus é sempre em prol dos pequenos e excluídos desta vida. Sua missão tinha uma meta bem definida e forte. Um nome, uma promessa, uma missão... Despojado, apegava-se unicamente à vontade de Deus no compromisso da missão aos irmãos. QUANDO DEUS PREPARA A NOSSA EXISTÊNCIA, NOSSA VIDA TORNA-SE UMA MANIFESTAÇÃO DE SUA PRESENÇA E DE SEU AMOR PARA CONOSCO (1ª leitura – Is 49,1-6). Neste dia de forte expressão da cultura do nosso povo, aprendamos com o exemplo de São João Batista. Coloquemo-nos à disposição da vontade de Deus. Ele nos confiou um nome. Nosso nome é a comprovação de que Ele nos conhece e quer que nós estejamos sempre dispostos a fazer das nossas tarefas diárias uma vocação que sirva para manifestar o seu projeto se consolidando entre nós. Entretanto, nossa missão é ser sempre instrumento. Deus realiza a sua vontade em nós. Sejamos como São João Batista. Como setas, apontemos o caminho. Preparemos os seus desígnios. Com profunda humildade, São João Batista se dizia indigno de desamarrar até mesmo as sandálias de Jesus (2ª leitura – At 13,22-26). QUANDO ASSUMIMOS NOSSA CONDIÇÃO DE SERVOS, TORNA-SE MAIS FÁCIL RECONHECER NOSSA PEQUENEZ E NOSSAS LIMITAÇÕES. O que fazemos é obra de Deus. Não escolhemos nem mesmo o nosso nome. Dependemos d’Aquele que dá razão e sentido a todas as coisas. Com esta compreensão, a vida torna-se um louvor digno e agradável ao nosso Deus. CELEBRAR O NASCIMENTO DE SÃO JOÃO BATISTA É CELEBRAR AINDA A GARANTIA DE QUE FAZEMOS PARTE DA PROMESSA SINCERA DO AMOR DE DEUS POR NÓS. São estas coisas tão belas e profundas que a liturgia deste dia nos faz recordar. Muito mais do que olhar para o que a cultura hoje nos oferece, bem melhor será imitarmos o exemplo de São João Batista. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

SEXTA – SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (ANO A): “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,25-30).

Conforme antiguíssimo costume, acreditamos ser o coração a fonte dos nossos sentimentos. A ele atribuímos nossas dores e alegrias. Mas precisamos aprender a sentir também com a nossa consciência e com a nossa fé. Um filósofo, e também teólogo, Blaise Pascal era o seu nome, que viveu no século 17, na França, elaborou um belíssimo pensamento que diz: “O CORAÇÃO TEM RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE”. Por conta disto, elevamos os nossos sentimentos sempre pensando que isto acontece a partir do nosso interior, ou seja, do nosso coração. Hoje, com toda a Igreja, celebramos a SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. Pela fé que temos, somos convidados a relacionar o nosso coração ao coração de Deus. Como pede o próprio Jesus no evangelho que a liturgia de hoje tem para nós: “APRENDEI DE MIM, PORQUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO”. Sejamos dóceis ao Sagrado Coração de Jesus. Façamos como nos lembra uma antiga jaculatória que sempre rezamos: “JESUS MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI O NOSSO CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO!”. Tenhamos a coragem e a alegria de relacionar a nossa vida com a vida de Jesus. Amarmos como Ele insiste em nos amar. Termos as mesmas disposições para amar, esta é a grande prece que poderemos apresentar ao nosso bom Deus neste dia do Sagrado Coração de seu Filho Jesus. Não tenhamos dúvidas do quanto o coração de Deus faz por nós. Ele “guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações para aqueles que o amam e observam seus mandamentos”, foi o que disse Moisés ao povo, sobre as coisas benditas do amor de Deus (1ª leitura – Dt 7,6-11). Com a primeira carta de São João que hoje nos é oferecida como segunda leitura, também refletamos sobre o preciso amor de Deus que jorra do coração de seu Filho Jesus por todos nós. Esta leitura nos apresenta a síntese mais perfeita sobre Deus. “DEUS É AMOR”, nos fala São João (2ª leitura – 1Jo 4,7-16). Que neste dia, vivendo ainda mais o profundo amor de Deus por nós, sejamos atraídos pelo coração de Jesus! Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

QUINTA-FEIRA DA 11ª SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO ÍMPAR): “Quando orardes, não useis muitas palavras... pois vosso Pai sabe do que precisais” (Mt 6,7-15).

A palavra RELIGIÃO vem do verbo latino: “religare”, que quer dizer RELIGAR, isto porque o ser humano precisa se religar diversas vezes com o ser divino. A via, o fio condutor que nos dá acesso ao sagrado é a ORAÇÃO. O evangelho de hoje nos fornece mais uma vez uma interpretação especial a este respeito. Jesus ensina os discípulos a se aproximarem de Deus mediante a oração. Não uma oração montada e esteticamente bem produzida, com muitas palavras e petições. Mas uma ORAÇÃO DIALOGAL. Uma conversa madura que flui do coração. Eis, portanto, a oração do Pai Nosso. Enquanto muitos ofereciam orações rebuscadas, providas de conteúdos voltados à lei, a oração do Pai Nosso, sintetizando o próprio evangelho, evoca o sentido deste encontro profundo com Deus. A ORAÇÃO, QUANDO SINCERA, TORNA-SE EFICAZ E CHEIA DE SENTIDOS. A oração nasce do coração, fruto de uma intimidade que se dá pelo silêncio e pelo temor a Deus. Mas ISTO SE DÁ NA PRÁTICA, OU NOSSA ORAÇÃO É SIMPLESMENTE UM CONJUNTO DE PALAVRAS, JACULATÓRIAS E PEDIDOS? Cada frase do Pai Nosso, relaciona-nos com Deus e com os irmãos. Será que a nossa oração, a nossa vontade de estar ligado a Deus, segue este propósito, ou buscamos uma relação INTIMISTA, reduzindo o sentido verdadeiro da oração? Há canções que esquecem que Jesus nos ensinou a chamar a Deus de NOSSO PAI. Acham melhor chamá-lo de MEU PAI. São Paulo aprendeu muito bem o significado da oração, unindo-a à sua vida (1ª leitura – 2Cor 11,1-11). Rezando a Deus, vivia sempre atento ao povo. Uma preocupação às vezes excessiva, porém eficaz. Rezemos saboreando cada palavra do Pai Nosso, na missa, na oração pessoal e na vida, para que saibamos vencer todas as tentações e quedas deste mundo. E que a vontade de Deus seja observada tanto no céu quanto na terra. O Pai Nosso nos lembra disto! Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam

QUARTA – MEMÓRIA DE SÃO LUÍS GONZAGA: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens só para serdes vistos por eles” (Mt 6,1-6.16-18).

A mensagem que Deus hoje nos oferece é um convite ao dom da PARTILHA e da SOLIDARIEDADE. Todo cristão tem a obrigação de olhar para os menos favorecidos desta vida. Não é a toa que a palavra CARIDADE é também entendida com o mesmo significado da palavra AMOR. Porque amo, sou também generoso e prestativo. Jesus chama a nossa atenção para que façamos tudo isto sempre de maneira discreta e sem alardes. É um recado muito importante e necessário, em especial por estarmos num tempo tão marcado pela presença dos holofotes, das câmeras fotográficas e de vídeos. ÀS VEZES, CRIAMOS NECESSIDADE PARA REGISTRARMOS TUDO. ATÉ MESMO O BEM QUE FAZEMOS. As lições de Jesus nos exigem modéstia e compromisso. É por esta razão que Ele também pede até mesmo para que a nossa mão esquerda não saiba o que faz a direita. O ANONIMATO NOS CREDENCIA MELHOR PARA TERMOS ACESSO AO REINO DE DEUS. A gratuidade também nos aproxima de Deus. Certa vez, um homem foi visitar a grande Madre Teresa de Calcutá. Enquanto ele a visitava, começou a observar o seu trabalho dedicado aos pobres e enfermos. Diz a história que, no momento em que Madre Teresa fazia um curativo em um homem doente, aquele visitante disse: “EU NÃO FARIA ISSO POR DINHEIRO NENHUM NO MUNDO”. A madre santamente respondeu: “EU TAMBÉM NÃO!”. Aprendamos a ser generosos, pois Deus é sempre generoso para conosco. Saibamos viver neste mundo sempre dispostos a servir e a colocar o que temos a disposição daqueles que não terão como nos recompensar. São Paulo, nesta mesma linha de pensamento, hoje nos diz: “DÊ CADA UM CONFORME TIVER DECIDIDO EM SEU CORAÇÃO, SEM PESAR NEM CONSTRANGIMENTO; POIS DEUS ‘AMA QUEM DÁ COM ALEGRIA’” (1ª leitura – 2Cor 9,6-11). Esta reflexão também nos faz pensar sobre o quinto mandamento da Igreja, que diz: “AJUDAR A IGREJA EM SUAS NECESSIDADES”. Que tal começarmos assumindo o compromisso de devolvermos a Deus o nosso dízimo? E assim abriremos o nosso coração para aqueles nos aproximam bem mais de Deus. Padre Aureliano Gondim. #GotasQueEdificam